Por que a disfunção erétil ocorre após o tratamento do câncer de próstata?
A prostatectomia radical é a cirurgia que remove completamente a próstata e as vesículas seminais. Embora seja um procedimento potencialmente curativo, ele ocorre em uma região anatomicamente muito delicada, diretamente relacionada aos mecanismos da ereção. Por isso, mesmo quando a cirurgia é bem-sucedida do ponto de vista oncológico, pode haver impacto na função sexual.
Para entender o problema, é importante saber que:
- A ereção depende de nervos, vasos sanguíneos e tecido peniano saudável.
- Os principais nervos responsáveis pela ereção formam os chamados feixes neurovasculares.
- Esses feixes passam colados à próstata, um de cada lado, como se fossem “fios elétricos” muito finos.
Durante a prostatectomia, o cirurgião precisa retirar a próstata sem deixar células cancerígenas, e isso acontece a poucos milímetros desses nervos.
O que acontece com os nervos durante a cirurgia?
Mesmo quando se realiza a chamada cirurgia com preservação de nervos (nerve-sparing), os nervos podem sofrer:
- Estiramento: Ao mobilizar a próstata para removê-la, os nervos podem ser tracionados, o que provoca uma espécie de “choque” nervoso.
- Compressão: Pinças e instrumentos cirúrgicos podem comprimir temporariamente esses nervos.
- Inflamação local:Após a cirurgia, ocorre uma resposta inflamatória natural do organismo, que pode bloquear temporariamente a transmissão do estímulo nervoso.
Esse conjunto de fatores leva ao que chamamos de neuropraxia, uma “paralisia temporária” do nervo. Enquanto o nervo não se recupera, o pênis não recebe o comando cerebral para iniciar a ereção.
O que acontece com o pênis quando a ereção não ocorre?
Mesmo sem atividade sexual, o homem saudável costuma ter ereções involuntárias, principalmente durante o sono. Essas ereções são fundamentais para:
- Levar oxigênio ao tecido peniano.
- Manter a elasticidade dos corpos cavernosos.
- Após a cirurgia, com a interrupção do estímulo nervoso:
- Essas ereções desaparecem.
- O fluxo sanguíneo peniano diminui.
- O tecido passa a receber menos oxigênio.
Esse processo leva a:
- Fibrose dos corpos cavernosos.
- Perda de elasticidade.
- Dificuldade progressiva de obter ereções espontâneas, mesmo quando os nervos começam a se recuperar.
E os vasos sanguíneos, também são afetados? Sim.
Durante a prostatectomia, pequenas artérias que contribuem para a irrigação do pênis podem ser:
- Seccionadas.
- Coaguladas.
- Ter seu fluxo reduzido.
Por que alguns homens se recuperam e outros não?
A recuperação da função erétil após prostatectomia depende de vários fatores:
- Idade do paciente.
- Qualidade da ereção antes da cirurgia.
- Preservação de um ou dois feixes nervosos.
- Estágio do câncer.
- Presença de doenças como diabetes, hipertensão e tabagismo.
- Início precoce da reabilitação peniana.
- Mesmo em condições ideais, a recuperação pode levar meses ou até alguns anos.
A disfunção erétil é sempre definitiva? Não.
Em muitos casos, a disfunção erétil é transitória, relacionada à neuropraxia e à falta temporária de oxigenação do pênis. Porém: Se o pênis permanecer por muito tempo sem ereções e sem estímulo terapêutico, as alterações estruturais podem se tornar irreversíveis. É por isso que hoje se fala tanto em reabilitação da função erétil precoce, iniciada logo após a cirurgia “A Reabilitação sexual” refere-se a uma abordagem proativa para preservar e recuperar a função erétil após o tratamento do câncer de próstata. A ideia é manter o tecido erétil saudável e reduzir mudanças irreversíveis como a fibrose que piora a capacidade de obter ereções espontâneas no futuro.
Opções terapêuticas atuais:
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- Inibidores de PDE5 (ex: tadalafila, sildenafila)
- Dispositivo de ereção à vácuo
- Injeções intracavernosas ou uretrais
- Terapias emergentes e complementares
- Terapia por ondas de choque de baixa intensidade.
- Plasma Rico em Plaquetas (PRP) – Terapia regenerativa ainda em fase de estudos
- Estimulação elétrica ou neuromodulação — promessa futura para regeneração nervosa, ainda em investigação.
- Fisioterapia pélvica — papel complementar na reabilitação.
- Implantes de prótese peniana
Quer conversar sobre a sua recuperação sexual? Se você está enfrentando disfunção erétil após tratamento de câncer de próstata, você não está sozinho e eu posso te ajudar. Agende uma consulta, juntos podemos traçar um plano individualizado que considere o seu histórico, expectativas e melhores evidências científicas para recuperar sua função sexual e qualidade de vida.
Dr. Thales Mendes
Urologia e Andrologia
CRM-ES 12716 | RQE 11575