Correção cirúrgica de varicocele: o que os pacientes precisam saber

A varicocele é uma dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme no cordão espermático, sendo uma das causas mais comuns de infertilidade masculina e podendo também causar dor ou desconforto escrotal. Estima-se que ela esteja presente em até 15% dos homens em geral e em até 40% dos homens com infertilidade.  

Quando a cirurgia é indicada?

Nem toda varicocele precisa de correção cirúrgica. As principais indicações reconhecidas pelas diretrizes e pela literatura são:

  • Infertilidade masculina comprovada: Homens com varicocele clinicamente significativa (palpável, geralmente graus II e III) e alterações no espermograma (contagem baixa, motilidade reduzida, morfologia alterada) que desejam melhorar a chance de gravidez natural ou em conjunto com técnicas de reprodução assistida.
  • Dor testicular significativa: Pacientes com dor testicular associada à varicocele que não melhoram com tratamentos conservadores podem se beneficiar da cirurgia.
  • Adolescente com varicocele e atrofia testicular: Em adolescentes, a presença de varicocele clínica associada à hipotrofia do testículo afetado é uma indicação de tratamento para prevenir maior dano testicular.
  • Azoospermia não obstrutiva selecionada: Em alguns pacientes com ausência de espermatozoides no ejaculado, a cirurgia pode aumentar a chance de aparecimento de espermatozoides com o tempo e melhorar a probabilidade de sucesso em técnicas como ICSI.  

Quais técnicas existem e qual é a melhor?

Várias técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas para corrigir varicocele, mas evidências consistentes mostram que a técnica que oferece melhor equilíbrio entre eficácia e segurança é a:

Varicocelectomia microcirúrgica subinguinal

  • Realizada com microscópio cirúrgico e, idealmente, com doppler transoperatório para identificar veias anômalas, artérias e vasos linfáticos.
  • Tem as menores taxas de recidiva e de formação de hidrocele, comparada a técnicas abertas sem magnificação, laparoscópicas ou embolização radiológica.
  • Permite preservar vasos linfáticos e artérias, reduzindo complicações como hidrocele ou atrofia testicular.

Por isso, a varicocelectomia microcirúrgica é amplamente considerada hoje o “padrão-ouro” em muitos guidelines quando disponível e realizada por equipe experiente.

Possíveis complicações da cirurgia

Como toda cirurgia, a correção de varicocele pode ter efeitos adversos, porém em mãos experientes e com técnica microcirúrgica, ela é considerada segura e eficaz. As possíveis complicações incluem:

  1. Recorrência da varicocele — muito menor com técnica microcirúrgica (<~1–2%).
  2. Hidrocele pós-operatória — formação de líquido ao redor do testículo — raramente significativa quando vasos linfáticos são preservados.
  3. Dor persistente ou recidiva de dor em uma pequena proporção dos casos.

Raramente podem ocorrer hematomas, infecções ou lesões vasculares — mas com a técnica adequada essas ocorrências são incomuns.

Tempo de recuperação

A recuperação costuma ser rápida e, na maioria dos casos:

  1. O paciente recebe alta no mesmo dia da cirurgia ou no dia seguinte.
  2. Atividades leves (caminhada, trabalho de mesa) podem ser retomadas em 1-2 semanas.
  3. Atividades físicas intensas geralmente são liberadas gradualmente após algumas semanas, conforme avaliação médica.
  4. A melhora dos parâmetros seminais e possíveis efeitos na fertilidade podem levar meses para se tornarem evidentes (em média 4-12 meses).

Resultados esperados

  • Espermograma: A maioria dos estudos demonstra aumento significativo na contagem espermática, na motilidade e na qualidade global dos espermatozoides após a cirurgia, especialmente com técnica microcirúrgica.  
  • Taxa de gravidez:
  • Em alguns estudos, uma proporção relevante de casais alcança gravidez natural após varicocelectomia.
  • Meta-análises recentes também mostram que, particularmente no contexto de ICSI, pacientes que fizeram varicocelectomia têm maiores taxas de fertilização e nascimento vivo comparados aos que não fizeram.  Importante: Nem todos os pacientes terão melhora — variáveis como idade, qualidade espermática pré-operatória e presença de outros fatores de infertilidade influenciam o resultado. Cerca de 25% podem não apresentar melhora significativa após a cirurgia em alguns estudos.  

Dr. Thales Mendes
Urologia e Andrologia
CRM-ES 12716 | RQE 11575

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