O que é a doença de Peyronie?
A doença de Peyronie é uma condição em que se forma uma cicatriz (chamada “placa” ou “fibrose”) na túnica albugínea do pênis. Essa placa pode:
- Causar curvatura do pênis durante a ereção;
- Provocar encurtamento e deformidades (por exemplo perda de comprimento, sulcos ou caroços);
- Causar dor durante ereção (mais comum na fase inicial) e, em muitos casos, dificuldade para manter ereção por causa da deformidade ou por fatores psicológicos.
A doença costuma ter uma fase aguda/ativa (dor e evolução da curvatura) e depois uma fase crônica/estabilizada (curvatura estabilizada e sem dor).
Como é feito o diagnóstico?
- Anamnese detalhada — quando começaram os sintomas, evolução, presença de dor, impacto na função sexual e na relação.
- Exame físico — procura por placa palpável, mede-se a curvatura em ereção. Podemos avaliar fotos ou vídeos fornecidos pelo próprio paciente mostrando o pênis em ereção.
- Exames complementares – Doppler peniano com fármaco indução em casos de dúvida ou avaliação de vascularização.
Quais são os TRATAMENTOS:
Tratamentos orais
- Muitos medicamentos orais (vitamina E, colchicina, potentes antifibróticos como pentoxifilina, inibidores da fosfodiesterase etc.) foram estudados. Nenhum medicamento oral tem evidência robusta e unânime que o recomende como padrão único de tratamento para reduzir curvatura. Assim, terapias orais podem ser consideradas em fases iniciais ou como adjuvantes, mas sem grandes expectativas.
Tratamentos intralesionais (injeções na placa)
- Colagenase Clostridium histolyticum (CCH, conhecido comercialmente em alguns países como Xiaflex): é a terapia com melhor evidência de eficácia para reduzir a curvatura peniana em pacientes selecionados (melhora média da curvatura em graus em alguns estudos controlados). Meta-análises e revisões sistemáticas mostram benefício consistente na redução da curvatura, costuma ser indicado quando a doença está na fase crônica/estabilizada. Lembrando que não há disponibilidade no Brasil e o custo fora do país é extremamente elevado.
- Outras injeções (interferon alfa-2b, verapamil): os dados são variados — algumas mostram benefício modesto, outras não; em geral, a qualidade das evidências é inferior à de CCH e os resultados são menos consistentes. Revisões recentes discutem utilidade e limitações dessas abordagens.
Terapias físicas/combinadas (tracção, vácuo)
- Terapia por tração peniana e dispositivos à vácuo têm estudos mostrando que podem reduzir curvatura e preservar/recuperar comprimento quando usados por períodos prolongados; recomendações variam, a evidência é promissora mas considerada moderada — muitas diretrizes recomendam como opção, especialmente em combinação com tratamentos intralesionais ou cirúrgicos.

